quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Calor do verão e os cuidados na hidroponia



alface: ajuda na digestão e reidrata
Sol, praia, calor. Os dias mais longos durante o verão não trazem benefícios apenas para quem quer tomar um banho de mar e aproveitar um pouco mais para se bronzear. As plantas também se beneficiam e tem mais tempo para fazer fotossíntese. Isso é sinônimo de maior produção, numa época em que frutas e verduras também são mais procuradas, uma boa oportunidade para produtores hidropônicos de alface e outras folhas fazerem uma renda extra ou cobrir os meses de baixa produção.
No Laboratório de Hidroponia da UFSC, a alface da bancada final diminui de 28 para 19 dias sua estada na bancada, num aumento de 47% na produção, conta Jorge Barcelos, pesquisador-líder do laboratório. Apesar do aumento da produção por conta do aumento na fotossíntese, essa época do ano dá muito trabalho aos produtores “A alface dá melhor na meia estação com dias ensolarados, pois gosta de muito sol e, como a maioria das plantas, não gosta de temperaturas extremas”, explica Barcelos. Além de poder prejudicar o desenvolvimento das plantas é no calor que aumenta o aparecimento de insetos e do temido Phytium que tem no ambiente quente e úmido seu habitat ideal.
O cultivo protegido, como acontece na maioria das produções hidropônicas, leva vantagem quando se fala nas fortes chuvas e raios solares que danificam as plantas e nesse período que há uma queda na produção de alface no solo é uma chance para vender mais, desde que se tome alguns cuidados.


Para conservar, leve à geladeira com a raíz
Mário Coelho, produtor de alface e rúcula está com a produção 50% maior desde dezembro e manterá uma média de 8 mil pés por mês até março. Ele conta que teve problemas com a solução nutritiva e isso atrapalhou a produção que poderia ser ainda maior. “Deixei de fornecer alface e rúcula durante uma semana aos meus clientes”, mas revela que consegue vender toda a produção. Coelho atende mercados do norte de Florianópolis, cidade turística que dobra sua população no verão, sendo as praias da região norte as mais procuradas.  E não é só nas cidades litorâneas que a produção aumenta. Os produtores Andréa e Vanderlei Hillesheim de Lajeado (RS) estão montando uma estufa nova para o berçário. “O preço aumenta por não ter alface do campo, queimado com o sol forte”, conta Vanderlei e lamenta “Tudo isso deveria nos auxiliar, no entanto há três anos estamos perdendo quase toda nossa produção, por conta do calor”.
A estufa que protege da chuva, também ajuda a aumentar a temperatura dentro da casa de cultivo. Para driblar o problema Barcelos dá algumas dicas como abrir as laterais da estufa ou as partes frontais superiores, substituir filme plástico por telas. Quando a abertura da estufa não for possível, utilizar malhas de sombreamento é uma boa saída “De 30% a 40% na redução de entrada de luz, dependendo da região” aconselha o pesquisador. Usar perfis metalizados que refletem a luz do sol também ajuda a diminuir a temperatura da solução, eles já estão disponíveis no mercado ou pode-se pintar perfis e canos de cor alumínio, ainda que os metalizados obtenham melhores resultados, observa Barcelos que testa as duas opções.
 Detalhes na construção da estufa também vão fazer a diferença, o professor recomenda que as estufas não ultrapassem 10 m de largura, “quanto mais estreita, mais fresca”. ”A altura do pé direito (altura que vai do chão até o início da cobertura) não deve ser inferior a 4m de altura, segundo o consultor Raul Vergueiro.


Experimentos no Labhidro
A formulação da solução também se altera nos períodos mais quentes, há uma maior necessidade de nitrogênio devido ao maior crescimento da planta. A aceleração do processo também exige um maior nível de cálcio, elemento que tem maior dificuldade para se locomover, mas necessita estar presente no topo da planta. Para o diminuir o calor da solução Labhidro está testando neste verão uma outra alternativa. Canos foram enterrados no buraco feito embaixo de uma bancada de alface. “O calor deve dissipado na terra, diminuindo a temperatura no interior do cano” explica Jorge Barcelos.

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